Depois de meses e meses sem escrever aqui nem uma palavra, decidi regressar.
Andava no Google à procura de um parque de campismo na Puebla de Sanábria e dei com o meu blog. Curioso. Já não me lembrava do nome – El Folgoso. Acho que este fim-de-semana vamos até lá, espairecer.
Depois daqueles malogrados dias que passamos em Espanha, não voltamos lá. Mas, como muitos devem saber, o lago da Puebla de Sanábria é mítico. A água é gelada, os espanhóis são uns chatos mas a paisagem é qualquer coisa de assombroso que transmite uma calma e sensações inqualificáveis.
O Azibo, em Macedo de Cavaleiros, é espectacular mas falta-lhe o campismo.
Depois deste tempo todo sem escrever é curioso aqui voltar a partilhar sentimentos e memórias sobre um mesmo espaço – a Puebla.
Entretanto, o que aconteceu, resumidamente? As condições de trabalho pioraram fazendo jus ao “ditado”: quando pensas que nada pode ser pior, o destino mostra-te como estavas enganado.
Conheci novos amigos, pessoas espectaculares. Dediquei-me em força a um desporto. Deixei de pensar tanto no que me incomoda e, curiosamente, deixei de escrever. Quando estamos tristes é mais fácil escrever. Mas a verdade, penso eu, é que pouco ajuda. Ficamos ainda mais tristes, é como se fosse uma inspiração. Ou talvez eu não tenha o dom da escrita.
Recentemente começo-me a descobrir e chego à conclusão que muitas das opções que fiz ao longo da vida assentaram em conceitos que eu própria criei acerca de mim. Agora acho que talvez estivesse errada.
Já não digo “não consigo”. Tento, pelo menos. Não penso mais no porquê das coisas, na injustiça da vida, no passado. Olho para a vida com maior realismo.
A minha avó, segunda mãe, piorou. Acho que às vezes nem me reconhece. Não vou dizer que não me afecta, que não fico triste. Fico, profundamente até. Mas tenho de aceitar que ela tem uma doença degenerativa – Alzheimer e que, provavelmente, vai piorar e não há nada que eu possa fazer.
É como se vivesse numa outra dimensão em que nada parece fazer sentido. Queres água? O que é isso, pergunta-me ela.
Como lutar contra isto? Ver quem nos criou num estado completamente aniquilante?
Amigos imaginários, há algo que neste tempo todo aprendi com cada vez mais força: carpe diem ou em português corrente, aproveitem o dia! A vida é curta e razão tinha o António Feio.
É por isso que quero estes dias para descansar, para dar amor a quem tem estado sempre do meu lado, pese embora eu seja completamente insuportável e sofra de distúrbios mentais. Mas deixo o aviso: não sou a única e, no fundo, todos temos uma espécie de insanidade latente. Eu só a deixo vir ao de cima, vivo mais feliz assim.